Playbook do Embarcador · 2026
E o alvo é você.
Em 2026, a ANTT lavrou uma multa por minuto contra quem contrata transporte. Não contra o caminhoneiro, contra a empresa que paga o frete.
Este guia da Antevo explica, em linguagem simples, o que mudou na lei, quanto custa cada erro e o que fazer na sua operação a partir de segunda-feira.
Leitura de 15 minutos · Aberto, sem cadastro · Legislação verificada em 10 de setembro de 2026

Entenda em 3 minutos
01
A lei nasceu em 2018
Depois da greve dos caminhoneiros, o governo criou uma tabela de preço mínimo para o frete. Naquele ano, a ANTT aplicou 31 multas no Brasil inteiro. A regra existia, a punição não.
02
Em outubro de 2025, o fiscal virou algoritmo
A ANTT ligou o cruzamento eletrônico dos documentos de transporte. Cada frete passou a ser comparado, em tempo real, com a tabela. Não existe mais operação que passa despercebida, porque todas são lidas.
03
Em 2026, o caminhão parou de sair
Desde maio, frete abaixo da tabela nem consegue ser registrado. E sem registro, o documento da viagem é rejeitado. A punição deixou de ser uma multa que chega depois e virou uma carga parada no pátio.
O que 2026 já cobrou de quem contrata frete
381.152
autos de infração por frete abaixo do piso de janeiro a agosto de 2026 (dados abertos da ANTT)
5,9x
todo o ano de 2025, em apenas oito meses de fiscalização eletrônica
R$ 1,3 bi
de exposição estimada de janeiro a agosto: os 381.152 autos pelo tíquete médio de R$ 3.448 que a própria ANTT registrou. O último valor oficial, até junho, é de R$ 932,4 milhões
Em média, o algoritmo lavra mais de uma autuação por minuto, 24 horas por dia: 65 por hora, 1.568 por dia, 47,6 mil por mês.
E o ritmo não caiu depois do primeiro semestre: acelerou. A média mensal passou de 45,5 mil autos entre janeiro e junho para 54 mil em julho e agosto, alta de 18,7%. A cerca de R$ 3,4 mil por auto, são aproximadamente R$ 186 milhões por mês cobrados de quem contrata frete.
Autuações por frete abaixo do piso, mês a mês em 2026
Os dois últimos meses fechados ficaram acima da média do primeiro semestre. Julho foi o segundo pior mês do ano e agosto veio logo atrás. São 381.152 autuações em oito meses, contra 64.139 em todo o ano de 2025.
Fonte da contagem de autos: dados abertos da ANTT, base SIFAMA de autos de infração de cargas, código de infração 9010, extração de 11/09/2026 (381.152 autos de janeiro a agosto; 39.927 em jan, 27.027 em fev, 39.994 em mar, 56.807 em abr, 62.397 em mai, 46.935 em jun, 57.743 em jul e 50.322 em ago). Médias calculadas sobre 243 dias. Fonte dos valores em reais: levantamento da ANTT a pedido do g1, com dados até 30/06/2026 (R$ 932,4 milhões em 2026 e R$ 221,9 milhões em 2025); tíquete médio de R$ 932,4 mi ÷ 270,4 mil autos. A base de dados abertos traz a quantidade de autos, não o valor em reais: por isso o total de R$ 1,3 bilhão de janeiro a agosto é uma estimativa, obtida multiplicando os 381.152 autos pelo tíquete médio de R$ 3.448,22 apurado no primeiro semestre (R$ 932,4 mi ÷ 270,4 mil autos). O único valor oficial divulgado pela ANTT continua sendo o de R$ 932,4 milhões até 30/06/2026. Multas aplicadas, sujeitas a processo administrativo, não definitivas.
Simulador de exposição
Mexa nos três campos abaixo. O cálculo usa os valores de multa que estão na lei e na resolução em vigor, e o valor médio real do auto de infração lavrado pela ANTT em 2026. Nenhum número aqui é estimativa de marketing: a origem de cada um está logo abaixo.
Todos os embarques rodoviários que saem das suas unidades.
Serve de base para a indenização ao transportador, que hoje é de até duas vezes o piso da operação.
De cada 100 embarques, em quantos você não teria hoje, em cinco minutos, o documento que prova piso, pedágio, registro e cadastro regulares na data. Se a resposta honesta é não sei, o número é maior que 5%.
Exposição em 12 meses
R$ 839.628
Equivale a R$ 700 por carga embarcada no ano.
| Frente | Eventos/ano | Exposição |
|---|---|---|
| Piso mínimo de freteMulta de valor médio observado mais indenização de até 2x o piso. Só carga lotação. | 36 | R$ 376.128 |
| Vale-pedágio não antecipadoR$ 3.000 por veículo e por viagem, nas rotas com praça de pedágio. | 42 | R$ 126.000 |
| Operação sem CIOTR$ 10.500 por operação, sobre os 25% de cargas contratadas com autônomo e equiparado. | 15 | R$ 157.500 |
| Transportador com registro irregularR$ 3.000 por contratação de quem está sem RNTRC ativo na data. | 60 | R$ 180.000 |
O que a conta acima ainda não inclui
Nesse ritmo você acumula 13 autos por mês. A lei considera reincidente quem comete nova infração em 12 meses, e a multa majorada vai a até R$ 1 milhão, dobrável. Um único enquadramento como reincidente custa mais que todo o quadro acima.
A economia que gerou essa exposição, considerando 8% abaixo do piso nas cargas irregulares, foi de R$ 10.080 no ano. A conta fecha em 83 vezes contra você.
Como o cálculo é feito: auto médio de R$ 3.448, obtido dividindo R$ 932,4 milhões por 270,4 mil autos (levantamento da ANTT a pedido do g1, dados até 30/06/2026). Vale-pedágio de R$ 3.000 por veículo e viagem (Res. ANTT 6.024/2023). CIOT de R$ 10.500 por operação (Res. ANTT 6.078/2026 e Portaria SUROC 6/2026). RNTRC de R$ 3.000 por contratação irregular (Res. ANTT 5.982/2022, art. 19, I). Indenização de até 2 vezes o piso (Lei 13.703/2018, art. 5º, § 4º, com redação da Lei 15.485/2026). O simulador assume 60% de carga lotação, que é a fatia sujeita a piso mínimo, 70% das rotas com praça de pedágio e 25% de cargas contratadas com autônomo e equiparado, única fatia em que registrar a viagem é obrigação do contratante. Não é previsão de autuação: é o cálculo do que cada operação irregular custa se for encontrada, e nas duas frentes que já são eletrônicas a fiscalização encontra todas. O cálculo roda no seu navegador e nenhum dado é enviado.
Sem juridiquês
Toda viagem precisa ser registrada na ANTT
Antes, só quando se contratava autônomo. Hoje vale para toda viagem, inclusive com frota própria da transportadora. E o sistema não deixa registrar viagem com frete abaixo da tabela: sem registro, o manifesto é rejeitado e o caminhão não circula.
A multa do frete baixo é de quem contrata
E ficou mais cara na conversão em lei: a indenização ao transportador deixou de ser o dobro da diferença e passou a ser até duas vezes o valor do piso inteiro. Numa carga cujo piso é R$ 3.500, economizar R$ 300 pode custar R$ 7.000 de indenização, mais a multa, que em 2026 saiu em média a R$ 3.448 por auto.
O seguro do transportador é conferido sozinho
Desde julho, a ANTT confere as apólices direto com as seguradoras. Seu parceiro de dez anos pode perder o registro numa terça-feira, sem avisar, e sua carga fica sem transporte.
Em novembro, o manifesto sem CIOT é rejeitado
A partir de 23 de novembro de 2026, a SEFAZ passa a rejeitar o MDF-e que não informe o CIOT. Hoje a falta de registro é fiscalização de campo, com poucos autos. Naquele dia ela vira automática, como o piso já é.
05 de agosto de 2026
O texto que veio da Medida Provisória do frete virou lei. Mas 41 dispositivos caíram, e o bloco mais pesado de vetos derrubou exatamente as anistias que o mercado aguardava.
O que passou a valer
O que foi vetado
Traduzindo: nada do que já foi multado será perdoado, e a régua daqui para frente ficou mais dura.
A escalada em três atos
2024
4.328 autuações
Fiscalização por amostragem, em barreiras e postos. Errar quase nunca custava.
2025
64.139 autuações
O cruzamento eletrônico é ligado em outubro. O invisível vira auto de infração automático.
2026 · até agosto
381.152 autuações
Quase seis vezes todo o ano de 2025, em oito meses. Julho e agosto vieram acima da média do primeiro semestre: a fiscalização acelerou.
O recado do governo é um só: fiscalize o seu transportador. Se você não fiscalizar, quem paga a conta é você.
Piso, CIOT, seguros e documentos, verificados antes de cada embarque. Errou? Multas de até R$ 10 milhões por operação, com alcance de sócios. E desde maio, operação irregular nem sai do pátio.
Ver a matriz de riscos →Uma conta simples
Em um mês, com 10 embarques por dia: você economizou R$ 66 mil e pagou R$ 924 mil. Quatorze vezes a economia.
E se você contrata o motorista autônomo direto, as multas de registro também são suas: a mesma viagem passa de R$ 4.200 para R$ 36.250.
Teste rápido
1. Quais documentos você precisa exigir de um transportador antes de contratar?
São seis, e um deles é o que define se a obrigação de registrar a viagem é dele ou sua. Se você não conseguiu listar os seis de cabeça, sua homologação tem buraco, e o buraco aparece no dia da autuação.
Ver a lista completa →2. O que precisa ser verificado a cada embarque, todo mês, no trimestre, no semestre e no ano?
São cinco frequências diferentes, com itens diferentes, e cada uma precisa de um dono. Se a resposta foi “a gente olha quando lembra”, a rotina não existe. E rotina que não existe é exatamente o que a fiscalização eletrônica encontra.
Ver a rotina completa →As duas respostas estão no capítulo de gestão de transportadores, e as listas prontas estão nos checklists, para baixar em Word.
A única defesa contra fiscalização automática é validar, antes do embarque, exatamente o que o governo valida depois. O playbook mostra como montar esse processo, do onboarding do transportador à auditoria.
Dentro do playbook
Novidade · Academia do Embarcador
O primeiro programa de treinamento do Brasil feito para o embarcador: uma jornada em 3 atos e 12 módulos, com avaliações comentadas, já atualizada com a lei sancionada. Ao final de cada ato, certificado Antevo no nome do participante. Sem custo.
Certificar minha equipe →